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Mostrando postagens com o rótulo crise mundial

O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe

Por José Serra Publicado no Estadão em 11/08/2011 Não é possível prever a extensão e a profundidade do mergulho das economias da Europa e dos EUA, mas se pode esperar, no mínimo, uma estressante instabilidade financeira, ao lado da inflexão para baixo no crescimento da economia mundial. No caso dos EUA, o impasse político sobre os limites do endividamento público ocorreu quando a economia apresentava sinais de fraqueza. A política monetária frouxa e a desvalorização do dólar nos últimos anos mostraram-se incapazes de reativar a demanda e o crescimento de maneira sustentada. Paralelamente, o governo Obama não conseguiu promover uma expansão do gasto público que tivesse efeitos multiplicadores poderosos sobre os investimentos e o emprego, como num modelo keynesiano básico. O aumento do déficit e da dívida desde 2008 resultou em grande medida da absorção da dívida do setor privado. Agora, a simples perspectiva de cortes (suaves) naquele gasto piorou as expectativas em todo o mu...

Líderes mundiais concordam em enfrentar vulnerabilidades

Yoo Choonsik e Patricia Zengerle/Reuters, Brasileconomico Os líderes do G20 concordaram em enfrentar as "tensões e vulnerabilidades" globais que fizeram surgir o fantasma de uma guerra cambial e de protecionismo comercial, após a reunião da cúpula. O grupo de países desenvolvidos e emergentes chegou a um acordo durante cúpula em Seul para estabelecer "linhas indicativas" vagas para medir os desequilíbrios entre suas economias, mas, abrindo um parênteses para acalmar alguns ânimos, deixaram os detalhes pendentes, que serão discutidos no primeiro semestre de 2011. Em um comunicado assinado no fim da reunião, os líderes se comprometeram em avançar para taxas de câmbio determinadas pelo mercado e evitar desvalorizações com fins competitivos. "Os riscos continuam", afirmou o comunicado. "Alguns de nós estão experimentando um forte crescimento, enquanto outros sofrem com altos níveis de desemprego e uma recuperação fraca. O crescimento desigual e o ...

O clube dos ricos tem porta - e bem fechada

Não é tão simples ignorar o poder do G-8 e uma - muito improvável - substituição pelo G-20 A reunião do G20 no fim de junho, no Canadá, aponta para uma virada no jogo dos países ricos contra a crise financeira – um problema que não partilhamos. Essa virada abala as pretensões de Brasil, Índia e China de assumir um maior papel político global. O governo brasileiro havia vaticinado, no ano passado, a morte do G8 (o clube que reúne só os países mais ricos e a Rússia) e sua substituição pelo G20 (que inclui os grandes países em desenvolvimento). Não é bem isso que vemos. O recado político dos ricos, disfarçado de documento técnico, veio do Banco Mundial. No seu último relatório bienal, publicado às vésperas da Cúpula de Toronto, o banco soltou uma estimativa de quanto se beneficiariam os países emergentes, até 2014, em virtude da possível adoção, pelo G8, de uma política de segurar gastos públicos e controlar seu enorme déficit fiscal. Essa é a conclusão de conto de fadas para o futuro dis...

Quem fez a Europa se perder

A Europa precisa de uma estratégia de crescimento de curto prazo para complementar o pacote de auxílio financeiro e os planos de consolidação fiscal Evitou-se o desmoronamento financeiro na Europa - por ora. O futuro da União Europeia e o destino da região do euro, no entanto, ainda estão incertos. A Europa estará condenada a anos de obscuridade e intermináveis recriminações mútuas sobre "quem sabotou o projeto europeu", se não encontrar em breve uma forma de reativar a economia do continente. Tendo sofrido um colapso econômico em 2009 mais profundo que o dos Estados Unidos, a economia da Europa encaminha-se a uma recuperação muito mais lenta - se é que podemos chamá-la de recuperação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a região do euro se expandirá apenas 1% neste ano e 1,5% em 2011, em comparação às taxas projetadas para os EUA, de 3,1% e 2,6%. Até o Japão, em grave depressão desde os anos 90, deverá expandir-se mais que a Europa. O crescimento europeu é limita...

Brasileiros retornam ao Brasil após crise mundial

Há alguns dias, o Valor Econômico trouxe uma matéria dizendo que o governo federal estima em 400 mil o número de brasileiros que foram repatriados nos últimos dois anos. Seriam 400 mil brasileiros que deixaram o Brasil em outra época para tentar a vida no Exterior, seja no Japão, Estados Unidos, Canadá, Austrália ou alguns países da Europa. Esses brasileiros estariam retornando a partir do segundo semestre de 2008, quando estourou a crise do subprime nos Estados Unidos e o emprego nos países desenvolvidos diminuiu. São diferentes histórias de vida nessa multidão de 400 mil brasileiros. Alguns ganhavam a vida em Londres lavando pratos, entregando panfletos em esquinas e faxinando aqui e ali. Sim, muitos faziam as três atividades para juntar algumas libras. Outros, mais afortunados, aproveitaram o boom econômico dos anos 2000 e ganharam dinheiro em atividades mais remuneradas e mais chiques, como produtores culturais, trabalhadores no mercado financeiro ou na indústria de tecnologia. Dep...