Hélio Zylberstajn, O Estado de S.Paulo Em termos de aposentadorias o Brasil é muito desigual. É como se tivéssemos dois tipos de cidadãos. Os de primeira classe seriam os que trabalham no setor público: contribuem pouco e se aposentam com muito. Os demais, que trabalham nas empresas privadas, seriam os de segunda classe: contribuem muito e se aposentam com pouco. De cada 100 aposentados, 86 são do segundo grupo. Mas na divisão do "bolo" das aposentadorias a conta se inverte: apenas 62% vão para o segundo grupo e nada menos que 38% ficam para o pequeno clube do primeiro grupo. Além de injusto, o sistema custa muito para os cofres públicos. O Brasil gasta hoje aproximadamente 11% do seu PIB com aposentadorias e pensões. É muito, sob pelo menos dois critérios. Primeiro, é um gasto elevado, pois representa aproximadamente 1/3 de toda a arrecadação com impostos e contribuições sociais. Segundo, é muito para um país com só 7% de idosos na população. A França, por exemplo, que te...